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Anguilla: as melhores praias do Caribe.

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Há um lugar muito agradável e com grande valor em Crocus Bay, onde costelas cozidas e piñas coladas são servidas. Todos tentam chegar à da’Vida[restaurante e spa em Crocus Bay] antes das 11h para conseguir uma espreguiçadeira na sombra, mas mesmo que você esteja atrasado, alguém vai alternar e te ceder um espaço.

No palco, o músico Omari Banks toca uma mistura de R&B suave com um reggae mais light; porções de frango são servidas na areia, enquanto beija-flores dão bicadas em ponches de rum. Antes do almoço, dou um preguiçoso e longo mergulho em Little Bay, onde crianças escalam uma grande pedra e dão saltos rumo ao mar, com gritos de animação. Eu poderia me acostumar a domingos como esse. É o que lembro melhor das Índias Ocidentais: gentil como uma propagandados anos 80 da Lilt, com batuques e chamadas de efeito — “a totally tropical taste” [um sabor totalmente tropical].

Uma ilha esguia e plana nas Pequenas Antilhas, Anguilla atrai um público completamente distinto se comparado com St. Barth’s, que fica a uma distância de apenas 10 minutos em voo. Dizem que se vai a St. Barth’s para ser visto e a Anguilla para não ser visto. Aqui, a conversa é mais relacionada à gastronomia do que a moda; é mais sobre música do que sobre dinheiro. É por isso que Robert De Niro lê os roteiros de seus filmes em uma Cerulean Villa bem reservada, conhecida como a melhor do destino. No ano passado, Justin Bieber passou um Natal bem familiar em uma nova beach house em Meads Bay, com sua paisagem clara, aros de basquete e piscina infinity [com vista do horizonte].

O grande fascínio de Anguilla são os caminhos imprevisíveis e as praias sensacionais, além das casas de ripa, pintadas em tons de amêndoa ou com listras fortes de rastafári. A Valley – sua minúscula capital – conta com pequenos prédios governamentais e uma série de food trucks, chamados de The Strip, onde são servidos sopa de concha, roti e patties de peixes. Crianças caminham até suas escolas com uniformes que têm as mesmas cores dos prédios (ou seja, você sabe onde elas vão) – da cor rosa usada no Orealia Kelly Primary ao verde utilizado em Vivien Vanterpool. Há hordas de cabras amigáveis e incansáveis galos cantantes. Você é acordado com um “cocoricó” onde quer que esteja.

Deliciosamente relaxada e instintivamente desacelerada, Anguilla é um dos poucos lugares do mundo onde o tempo parece sobrar no “estoque”. Apenas 15 mil pessoas vivem aqui, sendo que todos se conhecem e devem ter algum tipo de parentesco. Aparentemente, há meia dúzia de sobrenomes no local. Ao todo, são seis semáforos, mas as pessoas são tão conscientes que não há necessidade de regras de trânsito. Um motorista de taxi, originário da República Dominicana, me disse que se mudou para Anguilla por “uma vida tranquila”, um sentimento ecoado por outros residentes, como uma massagista da Jamaica, um mensageiro de hotel da Guiana e um barman de St Kitts. Há ainda uma garçonete de Nevis, que veio para a ilha para escapar da “corrida de ratos de sua terra natal”.

Eu queria achar o morador mais antigo de Anguilla para ver se a vida aqui sempre foi dessa maneira. Eis que encontro Daisy Wong (seu sobrenome era, na verdade, Juan, mas ninguém conseguia pronunciar), 95, na biblioteca pública. Ela estava usando seu melhor vestido e não largava minha mão enquanto falamos. “Sim, as coisas são praticamente as mesmas de quando eu era uma garota, exceto pelo fato de que nos vestíamos melhor antes”, afirma. Daisy foi apresentada a mim como uma poetisa e revolucionária. Ela “entrega” em ambas as frentes, recitando textos longos sobre as manifestações contra os britânicos nos anos 1960.

“Os nativos de Anguilla estavam prestes a encontrá-los com machetes, tacos e pedras; havia tanques e caminhões prestes a quebrar seus ossos; Deus os deixou porque passaram por um longo e árduo sofrimento; agora, estão mais determinados, Deus fez seus espíritos mais fortes”, recita. Para ler a reportagem na íntegra, clique aqui

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