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Câmbio: Especialista tira dúvidas de quem vai trocar dinheiro para viajar.

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Viajar para o exterior exige planejamento financeiro e é comum que surjam dúvidas para lidar com câmbio, principalmente em meio ao atual cenário de instabilidade econômica. Para ajudar quem vai desembarcar em outro país, Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas (www.ourominas.com), responde as principais dúvidas sobre o assunto:

 

Qual o limite para compra de moeda estrangeira?
Mauriciano Cavalcante (MC):
 Há um limite de R$ 10 mil para compra de câmbio em espécie. Para uma quantia maior, é necessário comprovar capacidade financeira – por meio de uma declaração de algum bem, por exemplo – e a transferência é feita na conta da corretora. Nos EUA, há um limite de US$ 10 mil para entrar no país sem ter de declarar e para viajar com um valor acima é necessário declarar na Receita Federal no Brasil, a fim de evitar problemas com a Justiça americana. Cada país possui uma legislação, é preciso conhece-la bem durante o planejamento da viagem.

 

É possível comprar dólar comercial?
MC: Não. O dólar comercial é usado apenas em negociações na bolsa e como referência para importações, exportações e para as taxas das moedas negociadas nas empresas de turismo. Ele não existe em espécie.

 

Como saber se o câmbio é justo? Dólar e Euro giram em torno de quanto?
MC: Dólar e Euro custam, em média, de 5% a 5,5% sobre o dólar comercial, já incluso o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Como a concorrência no mercado está grande, esse percentual tem se mantido estável. A melhor forma de economizar é pesquisando em diversas casas de câmbio.

 

Para viajar a um país cuja moeda seja diferente de Dólar ou Euro, é melhor trocar no Brasil ou lá?

MC: É interessante diversificar as moedas, mas depende do país de destino. O Dólar é bem aceito em qualquer lugar; já o Real, só em alguns. De qualquer forma, a recomendação é já sair do Brasil com a moeda local do destino, se houver essa possibilidade, pois algumas não são cambiáveis aqui. A moeda russa, por exemplo, até pouco tempo não era negociada no Brasil.
Para turistas que vão passar por vários países com moedas diferentes, como proceder?
MC: O ideal seria carregar o cartão pré-pago com as moedas que serão utilizadas, mas existem poucos no mercado que suportem uma variedade de câmbio – há apenas uma opção que possibilita levar até seis diferentes. A solução é levar Dólares – uma parte no cartão pré-pago e outra em espécie – e trocar em cada local por onde passar, apesar das desvantagens das taxas.
O que fazer com o dinheiro que sobrou da viagem? Há taxas para recompra?
MC: A recompra é garantida pelo mercado, porém, há desvalorização, pois o pagamento é feito com base no dólar comercial e com deságio de até 5%.

 

Qual a antecedência ideal para comprar moeda?
MC: Sempre recomendamos que a compra seja gradual. Deixar para a última hora é arriscado, pois a variação cambial pode deixar a moeda mais cara de um dia para outro. É necessário ter paciência e sempre estar de olho nas cotações para achar os melhores momentos. E, claro, não entre em ciladas, compre sempre em uma corretora, distribuidora ou casa de câmbio autorizada pelo Banco Central.

 

Dinheiro em espécie ou cartão? Qual é mais vantajoso para qual situação?
MC: Leve as duas opções. Coloque cerca de 70% da quantia no cartão pré-pago, ideal para fazer compras, e garanta 30% em espécie, para os primeiros gastos no país ou pequenas compras, como tomar um lanche ou pegar um táxi. A principal vantagem do pré-pago é que, caso haja perda ou roubo, é possível bloquear e a corretora realiza a substituição. Por outro lado, o IOF é mais caro, 6,38%, enquanto para dinheiro em espécie é de 1,1%. Além disso, o turista paga uma taxa entre US$ 2 e US$ 3 para sacar nos caixas eletrônicos. O que não recomendo é usar cartão de crédito, cujo valor a ser pago depende do câmbio no dia em que cair a fatura.

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